terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Romance " A Última Poesia de Max Wagner " retrata a Trégua de Natal de 1914, durante a Primeira Guerra Mundial.

Trecho   do  romance  histórico  de  Max  Wagner  retrata  a  Trégua  de  Natal  de  1914, durante  a  Primeira  Guerra  Mundial.





                                                                O Natal de 1914
                                                                 
                                                                     A trégua

A trégua foi observada pelos britânicos e alemães na parte sul do saliente de Ypres, na Bélgica. Entretanto, ela ocorreu em vários outros pontos do Front Oeste e por outros combatentes, principalmente os franceses e belgas, embora o fato que os alemães estavam situados em território francês ou belga inibiu qualquer grande demonstração de boa vontade para com os inimigos alemães. Não era incomum  breves cessar-fogo serem taticamente aceitos e observados por uma hora ou mais, como durante o café da manhã em setores mais calmos onde apenas poucos  metros separavam as tropas aliadas das germânicas; um caso de viva e deixe viver.


 O Natal foi iniciado pelas tropas alemãs posicionadas em frente às forças britânicas, onde uma distância curta separava as trincheiras ao longo da Terra de Ninguém. Muitos soldados alemães tinham como era seu costume na véspera de Natal, começado a montar árvores de adornadas com velas acesas. Surpresos os observadores britânicos informaram a existência delas para os oficiais superiores. A ordem recebida foi que eles não deveriam atirar, mas observar cuidadosamente as ações dos alemães. A seguir foram ouvidos cânticos de Natal, cantados em alemão. Os ingleses responderam em alguns lugares, com seus próprios cânticos. Os soldados alemães que falavam  inglês então gritaram votos de Feliz  Natal para Tommy (o nome popular dos alemães para o soldado britânico); saudações similares foram retribuídas da mesma maneira para Fritz (nome popular dos britânicos para os soldados alemães).


 Em algumas áreas, soldados alemães convidaram os ingleses para avançar pela Terra de Ninguém e visitar os mesmos inimigos que eles queriam matar poucas horas antes. As armas não dispararam aquela noite. A notícia se espalhou, histórias começaram a se difundir sobre visitas trocadas entre as forças aliadas (incluindo algumas francesas e belgas) e os inimigos alemães. Essas visitas não estavam restritas aos soldados rasos: em algumas ocasiões, o contato inicial foi feito entre oficiais, que definiram em conjunto os termos da trégua, acrescentando o quanto seus homens poderiam avançar em direção às linhas inimigas. Estes termos  permitiam o enterro das tropas de cada lado que jaziam ao longo da Terra de Ninguém, alguns mortos apenas uns dias, enquanto outros haviam esperado meses por um funeral. Homens das equipes encarregadas dos funerais entraram em contato com os membros das equipes similares do inimigo quando, então, conversas se desenrolaram e cigarros trocados. Cartas foram encaminhadas para serem entregues para famílias ou amigos vivendo em cidades ou vilarejos invadidos pelos alemães. 


Houve  até  uma  partida de futebol entre o regimento inglês de Bedfordshire e as tropas alemãs. O jogo foi interrompido quando a bola foi murchada após atingir um emaranhado de arame farpado. Em muitos setores a trégua durou até a meia-noite de Natal; enquanto em outros durou até o primeiro dia do ano seguinte. Os Governos aliados e o alto-comando militar reagiram com indignação. A igreja Católica, através do Papa Benedito XV, tinha solicitado anteriormente uma interrupção temporária das hostilidades para a celebração do Natal.  Embora o Governo alemão tenha indicado sua concordância, os aliados rapidamente discordaram: a guerra tinha que continuar, mesmo durante o Natal. Quase imediatamente à trégua, as mensagens enviadas chegaram para os familiares e amigos daqueles servindo no Fronte. Estas cartas foram rapidamente utilizadas por jornais locais e nacionais (incluindo alguns na Alemanha) e impressas regularmente. Os soldados na linha de frente foram praticamente unânimes em expressar seu espanto com os eventos do Natal de 1914.  


A reação foi de tanta que precauções especiais foram tomadas para que a trégua de Natal jamais fosse repetida. Os eventos do final de dezembro de 1914 foram proibidos. Investigações foram conduzidas para determinar se a trégua não foi organizada anteriormente, não conseguiram provar nada. Foi um evento espontâneo, que ocorreu em alguns setores, mas não em todos.A trégua de Natal no Front Oeste foi a mais surpreendente e, certamente, a mais espetacular de que teve notícia na história da humanidade. Mesmo naquele pacífico dia de Natal, a guerra o foi completamente esquecida; muitos dos soldados que apertaram as mãos do inimigo em 25 de dezembro  trataram de observar a estrutura das defesas, para  que  se  pudesse tirar vantagem  em  qualquer falha dos  inimigos  no dia seguinte.O Kronprinz (príncipe herdeiro) Guilherme, filho do Imperador Alemão encarregou-se pessoalmente de humilhar e punir os soldados alemães que confraternizaram com os aliados, muitos foram enviados em vagões de trem para setores onde a morte era certa  por  causa  do  frio, principalmente   para  a  Rússia.


 Apesar da trégua de Natal, aquele  ano havia  sido terrível para ambos os lados. Trezentos e seis mil franceses haviam perdido a vida em menos de seis meses de batalhas, o Exército francês possuía 2 milhões de homens, ou seja, em poucos meses a França perdeu quase 20% dos seus homens. Os alemães também tiveram pesadas baixas (241 mil soldados). Aquela guerra era com certeza a mais desumana e mortal da História. Estes foram os últimos acontecimentos do primeiro ano de batalhas da Grande Guerra.


Trecho  escrito  por  Max  Wagner  -  romance  " A  Última Poesia - Do Orgulho Nasce  a  Guerra "


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Livro que virou filme - A Menina que Roubava Livros

Livro  que  virou   filme    "A Menina que roubava livros", de Markus Zusak.




                                       Incrível  Drama  sobre  o  Nazismo

Markus Zusak encontrou um meio de escrever um romance ímpar que retrata com muita lucidez os horrores do período Hitleriano, da própria Segunda Guerra Mundial. Uma jovem durante o período da Alemanha nazista lutando intimamente para defender seus princípios, por não se deixar manipular pelo tétrico ideal de Hitler, ao passo que ela amadurece e aflora para o primeiro amor, um sentimento platônico. Zusak ainda chama a atenção para algo muito importante: o poder das palavras, a influência delas sobre o ser humano; o que elas conseguiam – e ainda hoje o logram - levar as pessoas a crer e a fazer.

O livro é uma narrativa da Morte, seu foco é a vida de Liesel e o que a ela for relacionado. Organiza-se em dez partes, cada qual com cerca de quarenta páginas, mais o prólogo onde a narradora apresenta a ela mesma e a nossa protagonista e ainda um epílogo falando sobre a morte de Liesel e o destino de alguns dos personagens secundários. Posteriormente há uma parte dedicada aos agradecimentos do autor e um trecho falando sobre ele.

Nossa narradora mostra-se muito diferente do juízo que lhe fazemos. Em partes do livro ela busca dialogar com o leitor, mostrando que apesar de não ser humana, tem de certa forma sentimentos. Empós apresentar-se ela explica o porquê de seu interesse em Liesel: “O que, por sua vez, me traz ao assunto de que lhe estou falando [...]. É a história de um desses sobreviventes perpétuos – uma especialista em ser deixada para trás.”. Ao final do livro ela reafirma algo que deixa bem claro durante a história: “Os seres humanos me assombram”...

“A menina que roubava livros” conta a história de uma menina de nome Liesel Meminger que, durante uma viagem de trem com destino a cidade alemã de Molching, ao despertar encontra o seu irmão que viajava a seu lado, morto. No trajeto é feita uma parada para inumar o menino, e, é no cemitério onde nossa protagonista faz o primeiro de seus roubos: um dos coveiros, incauto, deixa cair à neve um livro intitulado “Manual do Coveiro”. Em chegando a cidade de destino, Liesel descobre que seria entregue a uma família adotiva; reluta muito em partir dos braços da mãe consanguínea, mas acaba cedendo. Nossa protagonista passa a viver com Hans e Rosa Hubermann, sua nova parentela. A partir de então, Liesel ao decorrer da história, recebe letramento, faz amizades e, passa a roubar livros da biblioteca da mulher do prefeito, Ilsa Hermann (com certo consentimento da proprietária). Ao lado de seu amigo Rudy, ela constrói uma amizade solidária e uma cumplicidade nos furtos, além de um amor castiço e terno...

Ao fim do livro, a cidade de Molching é bombardeada pelas forças Aliadas e, não em tempo as sirenes de alerta foram acionadas. Foi uma chacina. Liesel foi, quiçá, a única sobrevivente da Rua Himmel. Ela passara as noites no porão da humilde casa de número 33, escrevendo em seu livro – um diário que lhe fora presenteado por Ilsa Hermann alguns dias antes. Ora novamente órfã Liesel é adotada por Ilsa Hermann e seu marido. Ilsa perdera o único filho alguns anos antes - o rapaz lutava na guerra. Liesel Meminger cresce, vai morar em Sydney, constitui família e morre em idade avançada.

Esta obra literária, devo admitir, aprazou a este que vos escreve. A ideia de Markus Zusak ao grafar um romance cujo cenário é a Alemanha nazista, retratando os horrores desse período, é deveras interessante. Uma jovem menina que vê (assim qual uma minoria de outras pessoas alemãs) um absurdo nos ideais de Hitler, mas, por coação, mantém a aparência de nazista, muito embora, durante parte da história os Hubermann e Liesel abriguem secretamente um judeu em seu porão.

O livro mostra o caos que foi a Alemanha nesse período: íncolas alemães passando fome com o racionamento de víveres, o temor de ser considerado um traidor ou mesmo de ser alvo de desconfianças por parte dos membros do partido nazista, a coerção para que todos se alistassem a essa facção e, a perseguição aos que se negavam. O fanatismo de maioria dos alemães, o nacionalismo exagerado, a arrogância... A perseguição aos judeus e a quem não fosse etnicamente alemão. O sofrimento das famílias – não só judias, mas inclusive alemãs como também russas e outras tantas - que perdiam seus parentes nas batalhas; das mães que perderam seus filhos ainda pequenos por conta dos bombardeios; pessoas que foram mutiladas pelo conflito... Atrocidades tamanhas que expõem o lado mãos sombrio, perverso e dantesco da natureza humana, capaz de apavorar até mesmo a singular narradora (“os seres humanos me assombram”).

A estruturação desse livro é um pouco diferente do que as dos títulos que já li. A principio foi curioso, até mesmo um pouco “estranho”, mas ao decorrer do livro torna-se conveniente e agradável.
Esta obra possui sem dúvida valor pedagógico; como sempre indigitando o mérito da Literatura qual instrumento de granjear conhecimentos vários. Trata-se de um texto mais indicado, talvez, a alunos a partir do segundo ano do Ensino Médio, dada a qualidade do escrito.

Markus Frank Zusak nasceu em Sydney em 23 de junho de 1975, é famoso pelo seu Best-seller internacional “A menina que roubava livros”, também é autor de “Fighting Ruben Wolf”, “Getting the Girl”, “Eu sou o mensageiro”, dentre outros, todos recebidos com críticas resplandecentes às revistas Publishers Weekly, School Library Journal, KLIATT, The Bulletin e Booklist. Recebeu o Prêmio Livro do Ano para Leitores Mais Velhos, concedido pelo Conselho Australiano de Livros Infantis.


abaixo  o   trailer  do  filme  que  estreiará  em  2014

A Menina que Roubava Livros - Trailer Legendado HD - YouTube


www.youtube.com/watch?v=J24AlOYHpVU

Nov 4, 2013 - Uploaded by Fox Film do Brasil
Baseado no bestseller, A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, conta a linda história de uma corajosa ..