quinta-feira, 30 de julho de 2015

DO ORGULHO NASCE A GUERRA - HISTÓRICO DE MAX WAGNER

A ÚLTIMA POESIA - DO ORGULHO NASCE A GUERRA
HISTÓRICO DE MAX WAGNER

Max Wagner é descendente de italianos da família Targa. Os primeiros membros de sua família deixaram a Itália no início do século XX, desembarcando no Porto de Santos, vieram para Ribeirão Preto-SP alimentando o sonho de melhorar de vida. Na época seu bisavô Paschoal Targa era muito jovem. Ele era apaixonado por óperas italianas, mas a dura realidade obrigou-lhe a trabalhar na construção civil. Alguns anos depois quando trabalhava na torre da Catedral de Ribeirão Preto, seu andaime soltou-se provocando sua queda e do ajudante. O servente morreu na hora, Paschoal sobreviveu milagrosamente, mas não sem quebrar quase todos os ossos do corpo. A família Targa fez de tudo para recuperá-lo, mas os recursos médicos eram ineficientes, então venderam a herança da família, parte do Sítio Morro do Cipó, próximo á Sete Capelas. Com o dinheiro voltaram para a Itália e desembarcaram em Gênova, depois a família instalou-se em Pádua, cidade de seus antepassados.


A Família Targa permaneceu três anos na Itália trabalhando em um vinhedo até a recuperação de Paschoal. Logo retornaram de navio e quando finalmente chegaram a Ribeirão Preto, Paschoal estava quase falido, o dinheiro foi gasto com a família e com os tratamentos médicos, ainda assim conseguiu comprar um grande terreno na Av. Francisco Junqueira, construiu uma casa e recomeçou a vida. Paschoal Targa tornou-se meio-tenor, realizando algumas pontas no Teatro Pedro II. Mesmo depois do acidente que quase ceifará sua vida, Paschoal voltou a trabalhar na construção civil para sustentar a família e ainda dera alguns filhos à sua esposa, a austríaca Adelina Zhumello Targa, um desses rebentos foi Turido Targa (avô de Max Wagner) que recebeu o nome do personagem principal da ópera preferida de Paschoal “A Cavalaria Rústicana”. Todos os seus filhos receberam nomes de personagens de óperas (Tosca, Úrsula, Otelo).


Durante a Primeira Guerra Mundial, Ambrósio Zhumello (cunhado de Paschoal) estava servindo como soldado em lutas engalfinhadas contra austríacos e alemães na Batalha de Caporetto. Ambrósio foi ferido por um soldado alemão e voltou pra casa com uma medalha. Alguns anos depois soube que seu cunhado Ambrósio, que morava no Mato Grosso havia morrido de maleita, fora enterrado em uma vala comum onde bois pastavam. Turido Targa não se interessou pela arte, decidiu continuar o trabalho braçal do pai, tornou-se pedreiro, mas seu filho Wagner Targa tocava piano, interessou-se pela literatura (vendia livros) e acabou encontrando-se na pintura, tornando-se artista plástico. O escritor Max Wagner é o filho mais velho de Wagner Targa.


Aos sete anos Max começou frequentar a fazenda onde os seus avós maternos de origem portuguesa moravam (Quirinópolis-Go). Apaixonou-se pela vida sertaneja, aos 14 anos começou a escrever seus primeiros poemas, passou a trabalhar na Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, tomou gosto pela música clássica, principalmente pelas óperas de Richard Wagner, entretanto acabou desistindo dos estudos por falta de vocação, chegou a compor músicas líricas que foram parar no lixo. Mais tarde tentou ingressar na Aeronáutica, sonhava tornar-se piloto de caça, acabou enganado durante um curso preparatório para fazer as provas, sendo assim desistiu do sonho de tornar-se aviador. Aos dezoito anos tinha certeza que seria escritor, passou então a ler e pesquisar tudo sobre literatura. Acabou herdando o talento artístico da família Targa, tornando-se poeta e escritor.


Max escreveu muitas poesias e um conto de Literatura Fantástica que terminou no lixo, ganhou alguns concursos de poesia, mas nada notório. Em 1995 teve a ideia de escrever um romance com o título “A Última Poesia”, mas somente em 1998 conseguiu criar todos os personagens e montar a trama, começando então a trabalhar no livro. No final de 1998, Max entregou sua vida totalmente para Cristo, conheceu sua esposa que já era cristã, o livro já não era prioridade na sua vida, o mais importante era fazer a obra que Deus chamou-lhe a fazer (difundir a salvação de Jesus Cristo e dedicar-se à sua família).


 No início o livro estava sendo escrito para ser publicado em volume único, mas os padrinhos de sua filha Anne deram-lhe conselhos para transformá-lo numa série, dada a extensão dos manuscritos, que acabaram divididos em 10 pequenos volumes. A Saga das Grandes Guerras Mundiais foi muito difícil de ser escrita, o processo foi lento, as dificuldades financeiras, a falta de tempo e as frustrações foram os maiores inimigos de Max.


Max frequentou a UEI (União dos Escritores de Ribeirão Preto) e foi membro da Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto, que mantêm contato até hoje. Tornou-se apaixonado por História, passou a pesquisar sobre as Grandes Guerras Mundiais, colheu relatos e opiniões de pessoas que viveram e que não viveram aquela época, para tentar entender o que realmente aconteceu. Até então ele era apenas poeta, a paixão por História o transformou em romancista, a saga foi sendo criada dentro de sua mente. Em 2007 Max havia realizado um sonho, ingressara na Faculdade de Letras, porém em 2009 passou por situações muito difíceis, além de um período de solidão muito grande, um deserto terrível, foi a pior época de sua vida. O sofrimento, as lágrimas e o desespero venceram-lhe. Mergulhou numa profunda depressão, acreditava que Deus não estava mais lhe ouvindo, acabou desistindo do sonho de tornar-se escritor e ainda abandonou a faculdade por que não conseguia pagar.


Nessa época Jesus mostrou a Max que não podia viver sem Ele. Max precisava passar por esse deserto para que seu relacionamento com Deus fosse restaurado. Seduzido pelo que estava escrevendo, necessitava descobrir como terminaria esse romance, que do princípio ao fim de sua trajetória foi um desafio. Cada linha que ele escrevia era uma surpresa. Somente quando terminou de rascunhar as últimas páginas descobriu o final chocante e avassalador. Foi nesse momento que entendeu que “A Saga das Grandes Guerras Mundiais” realmente merecia se chamar “A Última Poesia”. 


Embora Max nunca tenha se agradado da personalidade do músico Richard Wagner acabou sendo influenciado pelas suas óperas, seus personagens “O poeta e a bailarina” foram inspirados em Tristão e Isolda. Max sofreu fortes influências literárias dos escritores Victor Hugo e Ernest Hemingway, quando escreve procura misturar o romantismo de Hugo com a escrita dinâmica de Hemingway. Também buscou bagagem em outros grandes mestres da literatura; Eça de Queiroz, Alexandre Dumas, Jack London, Érico Veríssimo e Guimarães Rosa. Seus três livros de cabeceira são: A Bíblia, O Peregrino de John Bunyan e Os Miseráveis de Hugo. Atualmente os seus escritores prediletos são: Max Gallo, Jeff Shaara, Bernard Cornwell, Ken Follett, Mary Del Priore, Fernando Morais e Laurentino Gomes.


 A Última Poesia era um sonho, um projeto a ser realizado no tempo certo. Muitas pedras se colocaram no caminho de Max, e ainda assim ele continuou caminhando... Quando se acredita de verdade em um sonho ele acaba tomando forma e com o tempo se torna realidade. A esperança foi aumentando e se fortaleceu na sua mãe Ivone, talvez a única incentivadora até o fim, que nunca duvidou do sucesso do romance. As forças aumentaram através de seus filhos Lucas, Anne e Estevan. 


Faz alguns anos que Max mudou-se para a região de São José do Rio Preto - SP, mora numa pequena cidade chamada Ouroeste, famosa pelo seu museu arqueológico e pela Hidrelétrica Água Vermelha. Nesse lugar alcançou uma vida mais tranquila, voltada para o campo, segurança, saúde, e está terminando a Faculdade de História. Está montando uma editora e livraria virtual, escreve artigos no blog A Última Poesia, compartilha notícias sobre o seu livro e assuntos históricos, principalmente sobre as grandes guerras mundiais. Em junho de 2013, Max realizou uma publicação independente do seu romance na Feira do Livro de Ribeirão Preto, vendeu cópias para amigos e familiares, em dezembro de 2014 fechou contrato com a Chiado Editora, que irá distribuir “A Última Poesia” no Brasil e Portugal.O lançamento será em outubro 2015, no Centro Cultural Palace em Ribeirão Preto-SP.






sexta-feira, 24 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO - ARMAS MODERNAS DA 1ª GUERRA MUNDIAL

AS ARMAS MODERNAS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Eu assisti esse documentário semana passada, muito bom, está dividido em 4 episódios .

EPISÓDIO 01 (BESTAS BLINDADAS) – 
EPISÓDIO 02 (ATAQUES AÉREOS MASSIVOS) –
EPISÓDIO 03 (NUVENS DA MORTE) – 

EPISÓDIO 04 (MATADORES SUBMARINOS)

Esta é a épica história de como a I Guerra Mundial alterou para sempre a aparência dos conflitos armados. Foi uma guerra de estreias – uma guerra de transição do velho combate corpo a corpo, com armas pequenas, baionetas fixas e assaltos de cavalaria, para armamento de alta tecnologia ainda hoje utilizado. Entre as estreias, temos os bombardeamentos aéreos a cidades, grandes batalhas entre blindados, a luta pelo domínio dos céus, o desenvolvimento dos submarinos, os bunkers e a guerra química.

A I Guerra Mundial teve consequências terríveis; 15 milhões de mortos e 20 milhões de feridos. Até aqui, os documentários estavam limitados pelas imagens de arquivo, registradas por câmaras fixas e nunca durante os combates. Hoje, essas imagens ganham vida, através da sobreposição da reconstituição dramática com elementos animados como dirigíveis, aviões, blindados e submarinos. As cenas de combate foram filmadas com atores e algum material militar genuíno.



PODE SER BAIXADO PELO  BLOG -   http://filmessegundaguerra.blogspot.com.br/

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A TRAGÉDIA DO NAVIO LUSITÂNIA


                                                   O NAUFRÁGIO DO LUSITÂNIA

- TRECHO DO ROMANCE HISTÓRICO " A ÚLTIMA POESIA - DO ORGULHO NASCE A GUERRA " DE MAX WAGNER.


O RMS Lusitânia foi um navio da Cunard Line. Seu nome é uma homenagem à província romana da Lusitânia que é parte do território de Portugal, seu contrato de construção foi para a Escócia, por isso apelidaram-no "O Navio Escocês" em contraste com o navio Mauretânia, cujo contrato foi para Swan Hunter na Inglaterra, e que iniciou a construção três meses depois. Os detalhes finais dos dois navios foram deixados para designers para que diferenciassem em detalhes de desenho do casco e estrutura. O Mauretânia foi projetado um pouco mais comprido, largo, mais pesado e com um estágio de potência extra montado nas turbinas. O objetivo da construção desses navios foi para competir com navios transatlânticos alemães. O Lusitânia e o Mauretânia foram por alguns anos, os maiores navios do mundo. Superados apenas pelo RMS Titanic, navio da White Star Line que naufragou em abril de 1912, o Titanic fazia parte dos navios da Classe Olympic, era igual a seus irmãos o RMS Olympic e o Britannic.


O lançamento do Lusitânia foi em 7 de junho de 1906, contou com a presença de 600 convidados e milhares de espectadores, A viagem inaugural do Lusitânia partindo do porto de Liverpool com destino a cidade de Nova York, teve início em 7 de setembro de 1907. Era um barco de um luxo impressionante. No seu interior, o salão de jantar fora inteiramente construído em estilo Luiz XV, a sala de estar tinha painéis de mogno e lareira em mármore carrara. Possuía acomodações de primeira, segunda e terceira classes,  a capacidade total era de 2300 hóspedes, mais 900 tripulantes. Sem dúvida, o maior - 240 metros de comprimento -, mais veloz e mais sofisticado navio de passageiros da sua época.


  Por causa das hostilidades da guerra, o Lusitânia havia deixado sua função de transatlântico de luxo em 1914. No final de abril de 1915, o Lusitânia estava ancorado em Nova York aguardando para uma viagem a Liverpool, o capitão William Turner era o comandante, ele estava muito preocupado por causa da inspeção que fez. Turner viu falhas nos botes e nos tanques de estabilidade - e exigiu algumas reformas. Mas a principal razão do seu mau humor era a ameaça de ataque contra o Lusitânia. O capitão Turner viu um anúncio assinado pela Embaixada Imperial Alemã, e publicada em cinquenta jornais americanos. A nota informava que os navios de bandeira inglesa, ou qualquer um de seus aliados, estavam sujeitos a ser destruídos. Era a oficialização de ameaça. Da Inglaterra, o capitão Hall, da Inteligência Naval, procurou tranquilizar Turner, deixando claro que tratara de armar um ostensivo patrulhamento na rota do navio e garantindo que o Lusitânia poderia regressar sem maiores preocupações. No dia 01 de maio de 1915, após vários atrasos o navio saiu de Nova York com destino a Liverpool, levava duas mil pessoas, alimentos e uma série de produtos para a manutenção da Inglaterra na guerra, um carregamento tão variado quanto altamente explosivo.  O navio era alto demais - daí ser apelidado de "galgo dos mares", numa referência ao esguio cão gaulês - e seus botes salva-vidas ficavam suspensos 20 metros acima do nível do mar. Em caso de naufrágio seria impossível lançar a metade dos botes à água. Os alemães já se posicionavam no Atlântico Norte, o último submarino a partir para a costa do Reino Unido foi o U-20. 



Turner continuava preocupadíssimo, ele entraria na zona perigosa de Fastnet e o aviso alemão nos jornais americanos não saia da sua cabeça. No dia 05 de maio, surgiu um princípio de nevoeiro na região, o capitão decidiu que se aumentasse a velocidade, atravessaria o estreito Canal de São Jorge - entre Irlanda e País de Gales - durante a noite. A ideia era ficar distante de Fastnet, num curso de 20 milhas ao sul da costa irlandesa. Conhecedor daquelas águas, Turner sabia que podia seguir em frente, orientando-se pelos marcos do litoral. O U-20 passara a sudoeste de Fastnet, seu curso era quase idêntico ao que Turner planejara para o Lusitânia. Ao anoitecer, o submarino avistou a escuna inglesa Earl of Latham, que partira um pouco antes de Liverpool. Rapidamente, trouxe o U-20 à superfície, ordenou que a tripulação abandonasse a escuna e, em seguida, a fez explodir. O submarino alemão ainda tentou atacar um segundo barco inglês, mas que conseguiu fugir ajudado pelo nevoeiro. Temendo, então, uma resposta do patrulhamento costeiro inglês, o capitão Walter Schwieger rumou para alto-mar. Pretendia passar a noite em segurança e na superfície. O Almirantado Britânico logo foi informado dos dois ataques alemães, mas não tomou nenhuma atitude. Somente às 19 horas de 06 de maio, o Lusitânia soube que havia submarinos em atividade ao longo da costa sul da Irlanda. Imediatamente, Turner colocou seu navio em estado de alerta. A bordo a tensão era muito grande. Pela manhã, Turner começou a procurar o cruzador Juno, que deveria estar em algum lugar à frente, para dar proteção. O capitão fez soar a sirene do Lusitânia, para se comunicar com outro barco. Mas, o Juno estava a 100 milhas dali.  Só havia o submarino alemão U-20. Schwieger subiu à superfície e rumou a toda a velocidade para Fastnet, Turner também mudou de posição. Ele recebera uma mensagem em código do almirante Coke, mandando que desviasse para Queenstown – o que acabou facilitando as coisas para o U-20. Era como se os dois barcos houvessem marcado um encontro no mar. No começo da tarde do dia 7 de maio, sexta-feira, não havia mais nevoeiro e o capitão Turner pôde avistar a Cabeça Velha de Kinsale - sua referência de continente.



 Às 13h40, com o periscópio, o capitão Schwieger viu alguma coisa, era o Lusitânia. Era um alvo fácil, movendo-se a 18 nós em linha reta. O U-20 preparou o torpedo. Enquanto isso, muitos passageiros do transatlântico já tinham terminado de almoçar no salão estilo Luiz XV. Enquanto alguns estavam no convés, aproveitando a tarde agradável, outros esperavam o café na sala de estar. Ao fundo, a orquestra de bordo tocava Danúbio Azul. O clima voltará a ser de tranquilidade, mas o desfecho estava próximo.  Às 14h09, o U-20 atirou seu torpedo - uma bomba de 150 quilos. Um dos vigias do Lusitânia chegou a ver o torpedo nas águas e deu o alarme. Só que não havia como reagir. Precisamente um minuto depois, o torpedo atingiu o transatlântico, um pouco à frente da chaminé da proa, elevou-se um enorme jato d´água.  A superestrutura, acima do ponto de impacto, e a ponte foram despedaçadas. O fogo irrompeu e a fumaça envolveu a ponte superior. Os passageiros foram sacudidos por duas explosões, o Lusitânia possuía botes para todos, mas as suas máquinas não foram paradas, pois a sala das caldeiras estava sendo inundada, apenas 8 dos 22  botes de madeira foram lançados.


 A razão principal para o naufrágio não foi o torpedo, e sim o fato de que seu comando não fechou as comportas estanques, além do navio carregar  armas e munições que provocaram a segunda explosão. As luzes da terceira classe se apagaram devido a um pequeno incêndio nos geradores de energia. O primeiro bote saiu com 45 pessoas, todas da primeira classe. Nesse momento, os passageiros da terceira classe já estavam encurralados, pois a água já começara a invadir o último pavimento da terceira classe, deixando esses passageiros sem saída. Grande parte das pessoas a bordo já havia morrido por afogamento ou por hipotermia. O desespero era geral, as pessoas lutavam por um lugar nos botes. As luzes da segunda classe começaram a piscar, e a água invadiu a proa. Enquanto isso, o navio continuava navegando sem rumo pelo oceano, já que as máquinas não foram desligadas. A popa do navio se inclinou, a água invadiu o deque A e o primeiro pavimento da grande escadaria. O desespero em sair logo do navio fez com que muitos botes saíssem com mais pessoas do que eram capazes de suportar, o peso em excesso fez com que alguns botes virassem antes mesmo de partirem, atirando vários adultos e crianças ao mar. A terceira e a segunda classe adernaram por completo, deixando vários passageiros presos, a água chegou ao convés dos botes e começou a tragar o navio, foi engolido completamente e os passageiros foram lançados na costa de Kinsale, uma cidadezinha irlandesa à beira-mar.


  Milagrosamente o capitão William Turner conseguiu saltar, nadou por três horas antes de ser resgatado por uma bote salva-vidas. Para piorar os barcos de resgate demoraram mais de 2 horas para chegar ao local, apesar da proximidade da costa. Na verdade, o Almirantado temia enviar o Juno e submetê-lo, também, ao fogo do U-20. Das 2.000 vidas a bordo, 1.200 morreram por afogamento ou por hipotermia, 128 eram americanos, mais de 700 pessoas sobreviveram ao naufrágio. Grande parte foi tragada para o fundo do oceano, apenas 289 corpos foram recuperados.


 Teorias da conspiração começaram a surgir; o povo Americano não tinha qualquer envolvimento com a guerra, o Presidente Wilson havia declarado a sua neutralidade. Sorrateiramente, a administração dos EUA procurava uma desculpa para poder participar. O coronel Edward House foi o principal conselheiro de Woodrow Wilson, um homem com fortes ligações com os banqueiros internacionais. Num registro de uma conversa entre o Coronel House e Sir Edward Grey, Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros da Inglaterra, sobre como levar os EUA para a guerra, Grey perguntou: "o que farão os americanos se os alemães afundarem um transatlântico com americanos a bordo?" House respondeu: "eu creio que uma onda de indignação irá cobrir os EUA e isso, por si só, será suficiente para nos levar à guerra". Assim, a 7 de maio de 1915, tal como na sugestão de Sir Edward Grey, o navio Lusitânia foi deliberadamente enviado para águas controladas pela Alemanha, onde se sabia que estavam os navios de guerra alemães. E, como esperado, os alemães torpedearam o navio explodindo toda munição armazenada nele e matando centenas de pessoas. Para se perceber a deliberada intenção desta estratégia, a embaixada alemã colocou avisos no New York Times, dizendo às pessoas que se embarcassem no Lusitânia, o fariam por sua conta e risco, e se tal navio navegasse da América para a Inglaterra através de zona de guerra, estaria sujeito a ser destruído. 



Após as investigações serem concluídas sob o comando de Winston Churchill, o capitão William Turner foi exonerado.  Embora o Lusitânia tivesse sido requisitado para ser navio de guerra, era proibido carregar passageiros civis, a Inglaterra usou o dinheiro dos passageiros para financiar a travessia, eles também foram usados para desencorajar os alemães a afundar um navio com civis, os britânicos assumiram o risco pela morte dos passageiros, eles não representavam a carga mais valiosa. Os britânicos juraram que não havia armamentos militares onde o torpedo atingiu o navio, existe a hipótese que tenha acertado os depósitos de carvão gerando uma faísca que ocasionou a segunda explosão, nunca se saberá o que realmente aconteceu. O afundamento do Lusitânia causou uma onda de revolta no povo americano, em pouco tempo o acontecimento provocou grande consternação na opinião pública dos Estados Unidos. Os ingleses usaram a  tragédia  como  pretexto  para  uma  campanha  intensa  e  emocional  pelo  alistamento  militar, o  ataque  repercutiu  no  mundo  inteiro  contra  a  Alemanha. Depois os alemães tentaram amenizar a tragédia, prometendo indenizar os americanos pelos danos. De nada adiantou. A opinião pública se indignou, a morte daqueles 128 compatriotas queria forçar os Estados Unidos entrar na guerra, mas O Kaiser resolveu suspender a estratégia com os  submarinos  por  tempo  indeterminado, isso acalmou os Estados Unidos, mas  ninguém sabia até quando os americanos suportariam se manter  neutros.















WILLIAM TURNER


CAPITÃO WALTHER SCHWIEGER




SUBMARINO U-20




LUSITÂNIA





U-20



CAPITÃO WILLIAM TURNER





 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O GENOCÍDIO ARMÊNIO - TRECHO DO LIVRO DE MAX WAGNER


O GENOCÍDIO ARMÊNIO

O termo genocídio ainda não existia em 1915 quando os armênios foram massacrados, ele foi cunhado em 1944 pelo advogado judeu-polônes Raphael Temkim, ele considerou o massacre contra os armênios o primeiro genocídio famoso da história, depois o termo seria emprestado também para designar o massacre contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Genocídio significa: matança de um povo ou nação, o termo foi tirado da palavra grega Geno(povo) e da palavra latina Cídio(matança).  

TRECHO DO ROMANCE HISTÓRICO " A ÚLTIMA POESIA - DO ORGULHO NASCE A GUERRA " DE MAX WAGNER.



O massacre dos armênios foi a matança e deportação de milhares de pessoas de origem armênia, que viviam no Império Otomano, com a intenção de exterminar sua presença cultural, sua vida econômica e seu ambiente familiar, durante o governo dos chamados Jovens Turcos, um triunvirato formado por Enver Pacha, Cemal Pacha e Mehmed Talaat. 

Em 25 de fevereiro de 1915, o líder do governo Enver Pasha enviou uma ordem para que todas as unidades militares armênias nas forças otomanas fossem desmobilizadas, desarmadas e transferidas aos batalhões de trabalho, Enver explicou esta decisão como "Por medo de que eles colaborassem com os russos". Como tradição, o exército regular, quando composto por não muçulmanos, reunia homens com idade de 20 a 45 anos. Os soldados não muçulmanos mais jovens (15-20) e mais velhos (45-60) sempre atuavam no apoio logístico através dos batalhões de trabalho. Antes de fevereiro, alguns dos recrutas armênios foram utilizados como trabalhadores sendo, por fim, executados. Transferir recrutas armênios do serviço ativo para o setor de logística era um aspecto importante do massacre. O Comitê de Líderes da União e Progresso, responsável pelo massacre, resolveu libertar da prisão 12.000 criminosos que cumpriam diversas condenações, em troca deveriam se encarregar do massacre dos armênios. Em 19 de abril de 1915, o líder turco Jevdet Bey exigiu que a cidade de Van entregasse 4.000 soldados sob o pretexto de recrutamento.

Ficou claro para a população que seu objetivo era massacrar os homens capazes de Van, para não deixar-lhe defensores. Jevdet Bey já tinha usado uma ordem oficial por escrito em aldeias próximas, ostensivamente para procurar armas, era o início dos massacres. Para ganhar tempo, os armênios ofereceram 500 soldados e dinheiro para isentar o restante do serviço. Jevdet acusou os armênios de rebelião e afirmou sua determinação de esmagá-los a qualquer custo. Em 20 de abril de 1915, o conflito começou quando uma mulher armênia foi perseguida e dois homens armênios que vieram em seu auxílio foram mortos por soldados otomanos. Em Van, os defensores armênios protegeram 30.000 pessoas e 15.000 refugiados em uma área de um quilômetro quadrado do bairro armênio de Aigestan, com 1.500 fuzileiros armados com 300 fuzis, pistolas e 1.000 armas antigas. O conflito durou até que o general russo Nikolai Yudenich viesse resgatá-los. De Alepo relatos semelhantes chegaram ao embaixador estadunidense Henry Morgenthau, levando-o a cobrar a questão pessoalmente com Enver Pasha. Ele argumentou que as deportações eram necessárias para a condução da guerra, sugerindo que a cumplicidade dos armênios de Van com as forças russas ocasionou a perseguição de todos os armênios.

Na noite de 24 de abril de 1915 (O Domingo Vermelho) foram aprisionados em Constantinopla mais de seiscentos intelectuais, 16 políticos, escritores, religiosos e profissionais armênios foram levados à força ao interior do país e assassinados. O Domingo Vermelho foi a noite em que os líderes dos armênios foram presos e enviados para centros de detenção perto de Ancara, pelo então ministro do Interior Mehmed Talaat . Estes armênios foram posteriormente deportados com a aprovação da Lei Tehcir (sobre confisco e deportação) em 29 de maio de 1915. Para justificar este crime enorme, o material de propaganda foi cuidadosamente preparado em Constantinopla. (ele incluiu declarações como) "Os armênios estão em conluio com o inimigo. Eles vão lançar um levante em Istambul, matar o Comitê de Líderes da União e Progresso e terão sucesso na abertura do estreito (de Dardanelos)”.


Eitan Belkind, infiltrou-se no Exército otomano como um oficial e foi designado para o quartel general de Kemal Pasha. Ele alega ter testemunhado a queima de 5.000 armênios. Os habitantes das aldeias armênias eram reunidos e depois queimados. O método mais rápido para a eliminação das mulheres e crianças que estavam nos campos de concentração foi o de queimá-las. Russos afirmaram que, vários dias depois, o odor da carne humana queimada ainda impregnava o ar.


Muitas crianças foram colocadas em barcos, levadas e jogadas ao mar. Milhares de mulheres e crianças inocentes foram colocadas em barcos e atirados no Mar Negro. Prédios escolares foram usados para colocar crianças e matá-las com equipamentos de gás tóxico. O tifo também foi usado para exterminar. Armênios inocentes prontos para deportação foram inoculados com febre tifoide, Os médicos foram diretamente envolvidos nos massacres, envenenado bebês e fornecendo atestados de óbito falsos, indicando morte por causas naturais para crianças, milhares de cadáveres foram cobertos de cal.


Em 29 de maio de 1915, o Comitê para a União e o Progresso aprovou a Lei temporária de deportação, dando ao governo e militares otomanos autorização para deportar aqueles vistos como uma ameaça à segurança nacional. Em setembro uma nova lei foi proposta, conhecida como a "Lei temporária sobre expropriação e confisco", o governo otomano tomou posse de todos as propriedades e bens armênios abandonados. Os proprietários, não abandonaram suas propriedades voluntariamente, eram forçosamente, retirados de seus domicílios e exilados. O governo vendeu os bens, incluindo terras, gado e casas pertencentes aos armênios. O confisco de bens e o massacre de armênios indignaram grande parte do mundo ocidental.

Os aliados do Império Otomano ofereceram pouca resistência, mas uma riqueza de documentos históricos alemães e austríacos atestam o horror nos assassinatos e fome em massa de armênios. Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times relatou quase diariamente sobre o assassinato em massa do povo armênio, descrevendo o processo como "sistemático", "autorizado" e "organizado pelo governo". Evidências sugerem que o governo otomano não forneceu quaisquer instalações ou suprimentos para sustentar os armênios durante a sua deportação para o deserto, nem quando eles chegaram.


 Em agosto de 1915, o New York Times repetiu um relatório em que "Nas estradas e no rio Eufrates estão espalhados os cadáveres dos exilados, e os que sobreviveram estão condenadas a uma morte certa.” Tropas otomanas escoltando os armênios não só permitiram roubos, estupros e assassinatos de armênios, como muitas vezes participaram destes atos. Privados de seus pertences e marchando para o deserto, centenas de milhares de armênios morreram. A taxa de mortalidade por fome e doença foi muito alta, e aumentou com o tratamento brutal das autoridades, cuja relação com os exilados no deserto é similar aos mercadores de escravos. Nenhum abrigo de qualquer tipo foi fornecido e as pessoas foram deixadas sob o sol escaldante do deserto, sem comida e água. Alívio temporário só pôde ser obtido com o suborno dos funcionários. A política turca de causar a fome é uma prova óbvia de que a Turquia estava decidida a varrer os armênios da face da terra.


 Engenheiros alemães e trabalhadores envolvidos na construção da estrada de ferro Berlim-Bagdá, testemunharam armênios sendo amontoados em vagões de gado e enviados ao longo da linha férrea. Acredita-se que 25 grandes campos de extermínio existiram, sob o comando de Şükrü Kaya, um dos maiores colaboradores de Mehmed Talaat. A maioria dos campos situavam-se perto das fronteiras entre Turquia, Síria e Iraque. Alguns campos foram usados temporariamente, para enterrar os corpos em valas comuns, outros campos foram para àqueles que tinham expectativa de vida de alguns dias. Sangue fluindo em vez de água no rio, e milhares de inocentes, crianças, idosos, mulheres indefesas e jovens fortes estavam caminhando para a morte neste fluxo de sangue.


O Comitê de União e Progresso havia jurado matar qualquer armênio que sobrevivesse as marchas de deportação. O Império Otomano torturou, matou e expulsou quase dois milhões de armênios, Menos de 100.000 foram deixados vivos. Os alemães, aliados dos turcos viram como as populações foram fechadas em igrejas e queimadas, ou reunidas em massa em campos, torturadas até a morte, e reduzidas a cinzas. O Alto Comando alemão estava ciente dos assassinatos em massa, mas preferiu não interferir ou falar. Quando a cidade de Alepo caiu nas mãos dos britânicos, foram encontrados muitos documentos que confirmavam que o extermínio dos armênios foi organizado pelos turcos. Um destes documentos é um telegrama circular dirigido a todos os governadores, que se caso se opusessem a esta ordem não poderiam pertencer à administração, não deveria existir consideração alguma pelas mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios de extermínio, era necessário por fim à existência dos armênios. Fotografias encontradas sugerem que alemães participaram do assassinato em massa.

A Fundação Oriente Médio, organizada pelos Estados Unidos foi criada em 1915, logo após as deportações, cujo principal objetivo era de aliviar o sofrimento do povo armênio. A fundação ultrapassou a estimativa de ajuda inicial, e auxiliou aproximadamente milhares de refugiados. Em seu primeiro ano cuidou de 132.000 crianças órfãs armênias. A enfermeira e missionária norueguesa Bodil Biorn foi enviada para a Armênia, ela trabalhou para auxiliar as viúvas e crianças órfãs, em cooperação com missionários alemães. Ela testemunhou os massacres e viu muitas das crianças sob seus cuidados assassinadas juntamente com sacerdotes armênios, professores e assistentes, lela cavalgou por nove dias no deserto, fugindo das tropas tuco-otomanas para ajudar os armênios desabrigados.


 Em geral, as caravanas de armênios deportados não chegavam muito longe. À medida que avançavam, seu número diminuía com consequência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do esgotamento. Os mais repulsivos instintos animais eram despertados nos soldados, desgraçadas criaturas, torturavam e matavam. Se alguns chegavam a Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem víveres. Em lugares pantanosos do deserto: o calor, a umidade e as enfermidades acabavam com a vida deles. Durante o dia não tinham água, e as crianças choravam de sede; e pela noite os muçulmanos vinham aos leitos e roubavam as roupas, violavam as meninas e as mulheres. Quando já não podiam mais caminhar, os soldados as espancavam. Para não serem violentadas, as mulheres se matavam, muitas abraçando crianças de peito.


 Aproximadamente 12.000 armênios foram concentrados sob a tutela de algumas centenas de curdos... Estes curdos eram chamados de "policiais", na verdade eram carniceiros; bandos deles foram publicamente ordenados a levar grupos de armênios, de ambos os sexos, para destinos diversos, mas tinham instruções secretas para matar os homens, crianças e mulheres. As cisternas vazias do deserto e as cavernas também foram preenchidas com cadáveres. O cultura do povo armênio não desapareceu nos desertos da Mesopotâmia: as mães armênias ensinavam a ler aos seus filhos desenhando as letras do alfabeto armênio na areia. Mortes e torturas, destruição premeditada do patrimônio cultural, religioso, histórico e comunitário armênio foi negado pelos turcos. Igrejas armênias e mosteiros foram destruídos ou transformados em mesquitas, cemitérios foram destruídos, em várias cidades como Van, bairros armênios foram demolidos.


 Além das mortes, os armênios perderam suas propriedades e bens, sem compensação. Empresas e fazendas foram perdidas, e todas as escolas, igrejas, hospitais, orfanatos, conventos, e cemitérios tornaram-se propriedade do Estado turco. Em Janeiro de 1916, o Ministério Otomano do Comércio e Agricultura emitiu um decreto ordenando a todas as instituições financeiras que operavam dentro das fronteiras do império a entregar os bens armênios ao governo. Ouro, imóveis, dinheiro, depósitos bancários e joias foram então canalizados para os bancos europeus, a maioria alemães. Acredita-se que cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos durante o genocídio, muitos morreram assassinados por tropas turcas, em campos de concentração, queimados, enforcados ou até mesmo jogados amarrados ao rio Eufrates, mas a maioria morreu por inanição, ou seja, falta de água e alimento.


Os sobreviventes do massacre saíram do Império Otomano e instalaram-se em diversos países. Esse fato é chamado de diáspora armênia. Outros grupos étnicos também foram massacrados pelo Império Otomano durante esse período, entre eles os assírios e os gregos de Ponto, esses atos são parte da mesma política de extermínio. Adota-se a data de 24 de abril de 1915 como início do massacre, por ter sido o dia em que dezenas de lideranças armênias foram presas e massacradas em Constantinopla. O governo turco rejeita o termo genocídio organizado e nega que as mortes tenham sido intencionais. Foi uma punição cometida contra cristãos que viviam na Armênia. Setecentos mil homens, mulheres e crianças morreram na marcha forçada pelo deserto, a maioria morreu de fome e sede. Os turcos eram muçulmanos e odiavam os armênios cristãos. Depois de meses de marchas, poucos chegaram ao destino, foi um genocídio em massa de proporções inaceitáveis.







MISSIONÁRIA  BODIL BIORN




BODIL EM SEU CAVALO




BODIL BIORN


GENERAL NIKOLAI YUDENICH


YUDENICH


EMBAIXADOR HENRY MORGENTHAU 




ENVER PASHA


ENVER PASHA









JEVDET  BEY


MUSTAFÁ KEMAL


MEHMED TALAAT


MEHMED SUKRU  KAYA



COMANDANTE MUSTAFÁ KEMAL


CEMAL PASHA


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Hauptmann Egon Albrecht - O ás de combate brasileiro da Luftwaffe

     Hauptmann Egon Albrecht - O ás de combate brasileiro da Luftwaffe

Um dos grandes apelos feitos pela política racial de Hitler era que aquelas pessoas que fossem de descendência germânica e que vivessem fora de sua terra natal (Volksdeustche), não só poderiam como deveriam se juntar ao III Reich na luta para assegurar sua expansão. Como destino de um grande número de imigrantes desde o fim do século XIX, o Brasil possuía muitos alemães e seus descendentes que haviam se fixado aqui, principalmente nos estados do sul do país. E lá, a despeito do Brasil ter lutado ao lado dos Aliados durante a II Guerra Mundial, o chamado de Hitler ecoou com certo vigor e um dos vários jovens que retornaram à Europa para lutar na Wehrmacht, foi o brasileiro Egon Albrecht.

Egon Friedrich Kurt Albrecht nasceu na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, Brasil, em 19 de maio de 1918, filho de Frederico Albrecht e Hedwig Elditt Albrecht. Pouco se sabe de sua infância, da sua data de retorno à Alemanha ou mesmo onde aprendeu a pilotar aeronaves. Como fotos da época o mos tram utilizando uma insígnia da Juventude Hitlerista (HJ-Abzeichen), pode-se deduzir que ele provavelmente tenha retornado à Europa quando adolescente (você somente poderia ficar na Hitlerjugend até os 18 anos), onde teria tido suas primeiras lições de vôo planado.

Contudo, a mesma condecoração também agraciou os integrantes da “Auslands-HJ” (as Hitlerjugend no estrangeiro), isso significa que ele pode ter sido condecorado enquanto vivia no Brasil, já que o Partido Nacional-Socialista Brasileiro, organizado no sul do país, mesmo que não legalizado, era a maior seção do partido no exterior, perdendo apenas para o alemão em número de filiados. Mas essa hipótese não pode ser confirmada, uma vez que os arquivos referentes à Juventude Hitlerista foram destruídos durante a guerra.

O fato é que, após a conclusão de seu treinamento como piloto de caça, Albrecht foi designado para servir com o 6./ZG 1 (6º Staffel da Zers törergeschwader 1) então usando os caças pesados bimotores Messer schmitt Bf 110 no início de 1940. Com essa unidade - renomeada 9./ZG 76 em 26.06.1940 - ele participaria da Blitzkrieg contra a Holanda, Bélgica e França e, posteriormente, da Batalha da Inglaterra, efetuando principalmente missões de escolta de bombardeiros e ataque a alvos terrestres.

Em 24.04.1941 sua unidade foi novamente renomeada, desta vez, 6./SKG 210 (6º Staffel da Schnellkampf-geschwader), com a qual efetuaria uma série de missões durante a invasão da URSS. Atuando ao lado de ases como Rudolf "Rolf" Kaldrack e Wolfgang Schenck, entre outros, Albrecht participou principalmente de missões de ataque a alvos de infantaria e unidades terrestres soviéticas. Em 04.01.1942 seu esquadrão foi novamente rebatizado, agora como 6./ZG 1, mas ele permaneceria pouco tempo com esse grupo pois foi nomeado Staffelkapitän do 1./ZG 1 em 12.06.1942.

Condecorado com o Troféu de Honra da Luftwaffe em 21.09.1942 e, pouco depois, com a Cruz Germânica em Ouro (entregue em 21.12.1942), o Oberleutnant Egon Albrecht foi finalmente agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 22 de maio de 1943, enquanto liderava o 9./ZG 76, quando somava 15 vitórias aéreas além da destruição, no solo, de 11 aeronaves, 162 veículos motorizados, 254 veículos diversos, três locomotivas, oito baterias antiaéreas, 12 canhões anti-tanque e oito posições de infantaria.

Em 09.10.1943, promovido a Hauptmann, Egon Albrecht tornou-se Gruppenkommandeur do II/ZG 1, sucedendo ao Hauptmann Karl-Heinrich Matern (Ritterkreuzträger com 12 vitórias, morto em ação em 08.10.1943) e, no mesmo mês, seu Gruppe foi transferido para a costa da França (Frente Ocidental), onde passaram a efetuar missões sobre a Baía de Biscaia.
Pouco depois, Egon Albrecht e sua unidade foram envia dos para Wels, na Áustria, onde passaram a atuar contra as incursões de bombardeiros quadrimotores e sua escolta de caças principalmente os P-51 Mustangs e P-47 Thunderbolts da 15ª Força Aérea americana, sediada na Itália.

Em julho de 1944, o II/ZG 1 retornou à Alemanha para passar por um treinamento de conversão para o caça monomotor Bf109, ocasião em que a unidade foi renomeada III/JG 76 (Gruppe III da Jagdgeschwader 76). Após rápido treinamento, Albrecht passou a liderar seu Gruppe contra as forças aliadas que haviam desembarcado na França.

Em 25 de agosto de 1944, durante uma missão de combate, Albrecht foi forçado a abandonar a formação devido a um problema no motor de seu avião (um Messersch t Bf 109G-14, werkenummer 460593, código "schwarz 21"). Enquanto retornava para sua base sozinho, seu avi ão foi atacado por caças norte-americanos - não se sabe qual a unidade específica - e foi abatido próximo a St. Claude, noroeste da cidade de Creil (França). Embora Albrecht tenha conseguido saltar de pára-quedas, ele chegou morto ao chão, onde seu corpo foi saqueado por civis. Ainda hoje especula-se se teria sido ferido em combate ou se foi metralhado pelos caças inimigos enquanto estava no pára-quedas, algo não incomum naqueles dias.

Único brasileiro a ser condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, o Hauptmann Egon Albrecht, quando de sua morte, havia abatido um total de 25 aeronaves inimigas, sendo 15 na frente russa e o restante na frente ocidental - incluindo seis bombardeiros quadrimotores durante a Defesa do Reich - além de outros 11 aviões destruídos no solo.